Meu Pai: Meu Herói, Meu Bandido

Uma jornada de saudade, autoconhecimento e reconciliação com a história do meu pai, aprendendo a honrar suas imperfeições e seu amor.

CONSTELAÇÃO FAMILIARAUTOCONHECIMENTOINTELIGÊNCIA EMOCIONAL

Elaine Santos

10/14/20266 min read

Meu Pai: Meu Herói, Meu Bandido

Hoje, o artigo começou diferente. Coloquei este vídeo antes porque, toda vez que assisto a ele, eu choro!

Já faz mais de dois anos que vejo esse vídeo e sempre choro! Porque sempre me vejo no lugar da Cleo Pires.

É como se eu estivesse cantando com o meu pai. Inclusive, o Fábio Jr. lembra muito fisicamente o meu pai. Meu pai era gatão e charmoso demais, por isso atraía muitas mulheres.

Faz mais de dez anos que estou na busca pelo autoconhecimento e pelas terapias, mas uma das coisas mais bonitas que o autoconhecimento me trouxe, especialmente por meio da Constelação Familiar, foi a admiração pelo meu pai.

Quem conhece a minha história sabe que tive um pai com muitos defeitos, um pai imperfeito. E como eu julguei isso na minha adolescência! Como eu julguei meu pai e me coloquei em um lugar de superioridade!

Só que, na vida adulta, me tornei o espelho do meu pai. Cometi os mesmos erros. Tudo aquilo que julguei, eu repeti.

É a lei da vida, é a lei da Constelação Familiar, é a lei do Universo!

Hoje, a frase que eu mais autoconstelo é:

“Pai, eu sinto muito. Eu fui arrogante, eu te julguei e, hoje, eu sei o peso disso!”

É incrível como essa música do Fábio Jr. nos traz verdades sobre nossos pais. Ele realmente é o nosso herói, o nosso bandido!

Mas, hoje, eu consigo ver os dois lados. Antes, eu só via o bandido!

E sabe o que mais dói? É que eu sempre tive a certeza de que fui a pessoa que meu pai mais amou na vida!

Por mim, meu pai iria ao céu e pegaria uma estrela para mim!

Por mim, meu pai faria tudo!

E mesmo assim eu o julguei.

Sabe que ele nunca conseguiu dizer não para mim? Ele sempre pedia para eu pedir para a minha mãe e, se ela deixasse, ele também deixaria. Mas, no fundo, ele sabia que ela ia dizer não!

Depois que passamos pelos mesmos padrões dos nossos pais, os mesmos erros, percebemos o quanto eles foram fortes!

Depois que repetimos esses padrões, nos perguntamos: como eles suportaram tanta dor sem autoconhecimento, sem terapias, sem todas as ferramentas que temos hoje?

Hoje, temos mais consciência do que nossos pais tinham porque temos mais recursos. E foi graças a eles que chegamos a esses recursos.

Hoje, consigo ver como meu pai era trabalhador, como era alegre, como era forte!

Hoje, consigo ver a alma do meu pai em sua essência.

E esse meu sentimento de querer ser livre, essa minha alma cigana, vem dele!

Esses dias, fiz uma imersão de mulheres e pude pedir colo para o meu pai. E ele me pegou no colo.

Naquele momento, eu soube que era do colo dele que eu precisava.

Nós, como mulheres, muitas vezes procuramos nosso pai no nosso companheiro. Queremos que nosso companheiro nos dê a proteção e a segurança que, na nossa história, gostaríamos de ter recebido do nosso pai.

A gente sempre quer um salvador porque, muitas vezes, ainda não integramos o nosso pai dentro de nós.

Às vezes, queremos esse salvador porque necessitamos apenas do colo e da proteção do nosso pai.

E, se você também se sente assim, procurando um salvador, feche os olhos, imagine seu pai à sua frente e peça colo para ele. Peça para ele te abençoar e te dar a força, a segurança e a proteção que você tanto procura nas outras pessoas.

Integre seu pai dentro de você! Mesmo que, assim como eu, você consiga enxergar os defeitos dele.

Todos nós somos imperfeitos. Todos nós temos os nossos defeitos!

Muitas vezes, nosso pai é mais nosso bandido do que nosso herói!

Mas, se você não conseguir enxergar o lado herói, o lado humano, os defeitos e as qualidades do seu pai, talvez continue procurando algo dessa relação em outras pessoas e, inconscientemente, repetindo padrões dele.

E aqui vai uma carta aberta para o meu pai. E te aconselho a fazer o mesmo para o seu. Você verá como pode ser libertador!

Não precisa escrever apenas coisas bonitas como eu fiz. Eu já escrevi muitas cartas desabafando para ele. Já escrevi muitas cartas apontando meus traumas. O importante é você escrever do seu jeito, de um jeito que você se sinta bem!

Uma carta aberta ao meu pai

Pai, eu sinto sua falta!

Pai, tenho muito orgulho de você. Hoje, vejo sua força e tomo essa força para mim, para poder ir para o mundo!

Pai, hoje percebi que nunca falei sobre você para os meus filhos. E me comprometo a fazer com que eles conheçam o avô incrível que tiveram.

O cara que mais amou a mãe deles!

Pai, eu queria você aqui, brincando com meus filhos!

Mas eu sei que, onde estiver, você está nos protegendo, está cuidando de nós e nos abençoando!

Pai, o maior arrependimento da minha vida é nunca ter te dito pessoalmente o quanto eu te amo!

Mas você sabe que, hoje, é o que mais falo quando te trago para a minha frente, nos meus pensamentos!

Pai, você foi meu herói, meu bandido e, hoje, é muito mais que um amigo!

Te amo, Milton! Você sempre será o amor da minha vida!

Sinto muito por ter sido arrogante. Sinto muito por ter demorado a enxergar sua força!

Hoje, eu sinto e consigo enxergar o grande amor que você teve por mim!

Pai, hoje, minha maior vontade era te dar um abraço, deitar no seu colo e sentir você fazendo cafuné em mim!

Pai, meu filho vai receber a sua força por meio de mim. Meu filho vai ter você como exemplo de um grande homem!

Pai, eu te honro sendo livre e tendo a liberdade de viver na essência que você não conseguiu viver!

Pai, eu te honro sentindo a paz que você não pôde sentir!

Pai, eu te honro fazendo o que você me ensinou: eu nunca agredi e nunca vou agredir fisicamente meus filhos!

Pai, obrigada por me amar tanto!

Obrigada por demonstrar seu amor enquanto você estava vivo!

E obrigada por, hoje, eu sentir você ao meu lado, me protegendo em todos os momentos!

Pai, eu sinto sua presença e sua força!

E eu te amo pelo que você é!

Eu amo você! Eu admiro o homem que você é!

Pai, eu cresci e agora sou uma mulher que, sei, você teria ainda mais orgulho de ver. Porque, pai, eu sou eu! Simples assim!

Durante muito tempo, neguei a minha essência. Neguei a mim mesma por ser parecida com você, porque eu te julgava como errado!

Agora que entendo as suas dores, EU TENHO MUITO ORGULHO DE SER PARECIDA COM VOCÊ EM MUITAS COISAS!

E eu me amo por ser tão parecida com você! Porque eu te amo!

Pai, eu te honro amando minha família, mas também me colocando em primeiro lugar!

Pai, eu te honro mostrando para o mundo e para todos quem eu sou!

Pai, eu sou menor que você, e eu amo ser menor que você. Você é maior que eu, você veio antes, você tem mais força e me transmite proteção!

Pai, hoje eu vejo a sua grandeza!

Te amo, Miltão!

Fábio Júnior e Cléo Pires cantando Pai

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Perguntas frequentes sobre este tema

Como superar a ausência do pai e ressignificar essa relação?

Ressignificar a relação com o pai começa pelo reconhecimento dos sentimentos que essa história desperta, como saudade, tristeza, raiva, amor ou arrependimento. Escrever uma carta, mesmo que ela nunca seja enviada, pode ajudar a expressar emoções e organizar pensamentos. Cada pessoa tem seu próprio tempo de elaboração, e honrar a história do pai não significa ignorar as próprias feridas ou abrir mão dos limites necessários.

Como a Constelação Familiar pode ajudar a compreender a relação com o pai?

A Constelação Familiar propõe reflexões sobre os vínculos familiares, os julgamentos e os padrões que podem se repetir entre gerações. Esse olhar pode ajudar a reconhecer a história do pai com mais humanidade, sem negar as dores vividas nem justificar atitudes que machucaram. Compreender a história familiar não significa concordar com tudo o que aconteceu, mas encontrar novas formas de se relacionar com ela.