E Se Deus Não Estiver nos Julgando?

E se algumas crenças que aprendemos nos afastassem da nossa própria felicidade? Uma reflexão sobre Deus, amor, livre-arbítrio e paz interior.

ESPIRITUALIDADEAUTOCONHECIMENTO

Elaine Santos

9/3/20265 min read

Whitney Houston cantando
Whitney Houston cantando

E Se Deus Não Estiver Nos Julgando?

Você já deve ter ouvido falar de Whitney Houston. Quem neste mundo nunca ouviu?

Mas eu tive uma grande surpresa ao conhecer mais sobre a história dela. Whitney era bissexual e viveu uma relação muito importante com uma mulher, que, foi um grande amor de sua vida. Mas ela não quis se casar com ela e acabou se relacionando com um homem e se casando, em parte, por causa dos preconceitos das pessoas, inclusive de sua família, e também por causa de suas crenças religiosas.

Whitney chegou a falar sobre o medo de ir para o inferno.

E sabe qual foi o resultado disso?

Uma vida marcada por sofrimento, drogas e conflitos internos, mesmo com todo o seu sucesso e com aquele dom incrível de cantar.

Só um parêntese: eu não sou contra nenhuma religião.

Eu acredito fielmente que toda religião tem pontos com os quais eu concordo e pontos dos quais eu discordo.

Não que eu esteja totalmente certa. Ainda tenho muito o que aprender nesta vida. Mas sou tão aberta mentalmente para conhecer diferentes religiões que consigo perceber exatamente o que me atrai e o que me distancia de cada uma delas.

Mas, voltando à história de Whitney, comecei a me perguntar:

O quanto as nossas crenças religiosas podem afetar a nossa vida, inclusive de uma forma negativa?

Vamos fazer um raciocínio juntas.

Deus é amor, certo?

Ele nos deu uma das maiores leis da vida, que é o livre-arbítrio.

Então, por que o castigo?

Por que o inferno?

Qual é o sentido disso?

Vou ser muito sincera: eu não acredito em inferno. Eu não acredito em um Deus que nos castigue.

Posso estar errada? Sim, não sou dona da verdade.

Mas é o que eu sinto na minha alma, no meu ser.

Esses dias, ouvi alguém dizer que o que aconteceu no Nepal foi a ira de Deus, por um motivo que, fazia muito sentido.

Mas Deus é amor.

Então como eu poderia acreditar que Ele faria aquilo com pessoas inocentes também?

Você pode me falar:

“Mas, Elaine, o que acontecia lá era muito grave.”

Sim. Concordo.

Mas eu acredito que existe uma relação muito profunda entre as nossas escolhas, a forma como vivemos e aquilo que acontece ao nosso redor. E acredito também que muitas vezes manifestamos o que nos acontece de forma consciente e inconsciente.

Vou dar um exemplo.

Quando passamos a vida acreditando que não somos merecedoras, que somos pessoas ruins ou que não temos valor, isso pode afetar profundamente a maneira como nos relacionamos conosco, com os outros e até com a nossa própria vida, e com isso, adoecemos ou atraimos situações ruins para a nossa vida e as pessoas ao nosso redor.

Mas isso não significa que uma pessoa que adoece ou passa por uma tragédia seja culpada pelo que aconteceu.

Para mim, a autorresponsabilidade não é culpa.

É consciência.

Quando destruímos a natureza com lixo, desmatamento e descaso, a própria natureza pode nos devolver consequências. Quando alimentamos violência, julgamento, raiva e ódio, também criamos ambientes mais pesados para nós e para quem está ao nosso redor.

E assim vai...

Voltando à Whitney, o que quero deixar claro aqui é:

Cuidado com as crenças religiosas que colocam o medo acima do amor.

Lembre-se de que é muito mais importante uma pessoa estar feliz do que permanecer em um casamento no qual é infeliz apenas porque acredita que precisa estar casada.

É muito mais importante ter paz interior do que viver em guerra, dentro de quatro paredes, com uma pessoa com quem você não quer mais estar.

Jesus Cristo não se casou.

Então, para mim, isso também é uma reflexão de que o casamento não deveria ser tratado como uma obrigação absoluta para uma vida espiritual.

E aqui faço outra reflexão:

Cuidado com as histórias que aprendemos a interpretar como provas de que Deus castiga.

Será que Deus realmente precisa nos castigar?

Ou será que nós, seres humanos, ainda temos muito o que aprender sobre amor, compaixão, responsabilidade e liberdade?

É por isso que trago aqui um dos maiores conceitos da espiritualidade aberta e sem dogmas:

DEUS É AMOR.

Ele nos deu o livre-arbítrio.

DEUS NÃO JULGA.

Quem julga somos nós, seres humanos, que ainda temos muito o que evoluir — nesta e em outras vidas.

Então, se você quer transformar as energias e os padrões que alimenta na sua vida, comece por você.

Seja autorresponsável.

Cuide dos seus pensamentos.

Cuide dos seus sentimentos sobre você e sobre as outras pessoas.

Pare de julgar.

Cuide dos seus atos e das suas ações.

Observe aquilo que você coloca no mundo.

Porque acredito que aquilo que oferecemos ao mundo encontra caminhos para retornar para nós — seja através das nossas escolhas, dos nossos relacionamentos, dos ambientes que construímos ou da energia que colocamos em cada experiência.

Se você julga, acredita que está sempre certa e transforma suas crenças religiosas em verdades absolutas, pode acabar vivendo aprisionada pelo próprio medo.

Mas, se você escolhe transmitir luz, cura, amor e compaixão para as outras pessoas, começa também a construir mais amor, paz interior e luz dentro de si.

No final, talvez a grande pergunta não seja:

“Estou seguindo a religião certa?”

Mas sim:

“A minha fé está me aproximando do amor ou do medo?”

Porque, para mim...

Luz atrai luz.

Whitney Houston

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Perguntas frequentes sobre este tema

É possível ter espiritualidade sem seguir uma religião?

Sim. Espiritualidade e religião não são necessariamente a mesma coisa. Uma pessoa pode construir sua relação com o sagrado por meio da fé, da reflexão, da natureza, da meditação e de valores como amor, compaixão e liberdade, sem necessariamente seguir uma instituição religiosa.

Questionar uma crença religiosa significa perder a fé?

Não necessariamente. Questionar pode ser justamente uma forma de aprofundar a própria fé. Conhecer diferentes perspectivas e perceber o que realmente faz sentido para você pode transformar uma fé baseada no medo em uma espiritualidade mais consciente.