A Maternidade Não Precisa Ser um Peso

Uma reflexão sincera sobre a sobrecarga materna, o medo de perder o controle e a importância de dividir a responsabilidade da criação.

MATERNIDADECONSTELAÇÃO FAMILIARINTELIGÊNCIA EMOCIONAL

Elaine Santos

10/1/20265 min read

A Maternidade Não Precisa Ser um Peso

Vamos falar sobre a maternidade?

Sei que, em nosso DNA, está o feminino que cuida e acolhe nossos filhos. Que isso está intrínseco em nossas veias, na nossa essência como mulher.

Mas até que ponto a gente precisa colocar isso como um peso e uma responsabilidade apenas nossa?

Até que ponto vamos ficar ligadas ao sistema das nossas antepassadas, em que a mulher precisa se sobrecarregar, cuidar dos filhos sozinha?

Desde que tomei a decisão de viver 100% a maternidade, tenho me pegado em uma rotina incessante de remédios, deveres e responsabilidades.

Uma rotina de 24 horas vivendo e cuidando dos filhos.

Tem dias em que até esqueço de mim.

Ninguém me ensinou a viver a maternidade. Eu fui ensinada a trabalhar para não depender de homem, a ter a energia masculina alta, a ser independente e autossuficiente.

Ninguém me ensinou a lidar com o medo da maternidade. O medo de ver um filho doente.

Ninguém me ensinou a viver uma maternidade com leveza. Eu não tive esse exemplo, e minhas ancestrais também não tiveram essa consciência.

E nós, mães desta era, ficamos divididas:

Será que trabalho para não viver a vida da minha mãe e das minhas avós, de ser dependente de homem?

Ou será que me permito viver minha maternidade e toda a carga emocional e o peso da responsabilidade que isso traz?

E quando nos sentimos sozinhas nessa responsabilidade?

Por exemplo: ficamos bitoladas para dar todos os remédios na hora certa porque nosso filho está resfriado, enquanto o marido simplesmente está deitado no sofá porque está cansado do dia de trabalho que teve ontem.

É muito fácil ficar leve quando tem alguém pesado assumindo toda a responsabilidade pela criação do filho.

Será que, simplesmente porque o homem trabalha fora, ele está mais cansado do que a mulher que está vivendo para cuidar dos filhos?

Vou ser muito sincera: para mim, é mais fácil trabalhar fora, como fiz quando a Gabi era bebê, deixar a responsabilidade de cuidar e até de criar para a babá e chegar apenas à noite e, no fim de semana, apenas para curtir minha filha.

Do que estou vivendo agora: estar 100% do meu dia com meus filhos, vivendo a responsabilidade da maternidade.

Literalmente, é muito mais fácil a gente ter uma rota de fuga dessa carga emocional.

Eu sei que isso é uma escolha minha. Eu decidi isso!

E, como terapeuta, eu sei as consequências de colocar esse peso nos meus filhos.

Eu sei que, no futuro, esse peso que colocamos no bebê e na criança pode retornar para nós como um adolescente problemático ou um adulto revoltado.

Mas isso acontece mesmo quando a mãe está ausente trabalhando também!

A questão aqui é aprender a lidar com a maternidade com leveza.

Mesmo se sentindo sozinha ou estando literalmente sozinha, como a maioria das mães brasileiras.

Eu sou muito grata porque sou privilegiada e ainda tenho uma rede de apoio que me enxerga e vê esse peso.

Mas a questão aqui é: como trabalhar para ter uma maternidade leve?

Como tirar do nosso sistema nervoso esse medo de perder um filho?

Porque é isso que nos deixa bitoladas.

Eu já levei essa questão umas mil vezes para as terapias.

E eu sei que a maior questão aqui é que nós, mães, queremos controlar tudo.

Controlar o alimento, a saúde, a vida dos nossos filhos.

Como se a gente tivesse esse controle.

Como se a culpa fosse apenas nossa quando nosso filho fica doente.

Como se a culpa fosse apenas nossa se nosso filho não vai bem na escola.

Como se a culpa fosse apenas nossa se temos um adolescente revoltado em casa.

Nós nos esquecemos de que nossos filhos são 50% nós e 50% os pais deles.

Que nossos filhos são espíritos aqui na Terra, experimentando o que as almas deles precisam para poder evoluir.

Vou te falar uma coisa: os homens não têm o nosso sexto sentido tão profundo. Eles precisam que a gente fale.

Que a gente peça ajuda.

Na verdade, nós queríamos que eles tivessem o mesmo peso que a gente sente sobre a responsabilidade da criação dos nossos filhos.

Mas eles não têm isso. Não está necessariamente na natureza e na essência deles da mesma forma que sentimos.

Cabe a nós conversarmos e colocarmos essa consciência neles.

Você não é a super-heroína que vai cuidar do seu filho sozinha.

Ser essa super-heroína é muito pesado.

E você não quer isso.

Deixe o pai ser pai!

Pai não é rede de apoio. Pai não é ajuda.

Pai é pai!

Pai também tem que cuidar. Ele também tem essa responsabilidade, porque o filho também é dele.

Entregue seu filho ao pai e veja seu filho ganhar vida.

Na Constelação Familiar, mãe é aquela que enraíza. Pai é o que leva e mostra o mundo.

Se o filho não estiver indo para o mundo, é porque a mãe não permitiu o pai chegar? A mãe quis ser autossuficiente e controladora?

Não temos como ser autossuficientes com nossos filhos.

Eles são do mundo e todos têm pai.

Se o pai já morreu, constele e entregue ao pai em constelação.

Mas, se o pai está aqui, deixe ele ser pai.

Se ele estiver ausente, converse. Traga consciência para ele.

Se você já falou mil vezes e nada muda, busquem terapias juntos.

Mesmo não sendo mais um casal, isso pode ajudar vocês a serem melhores pai e mãe.

E, se forem um casal, melhor ainda: pode ajudar vocês a serem melhores pais e também a cuidarem da relação.

A cultura ainda traz ao homem a liberdade e, para a mulher, a sobrecarga da casa e dos filhos.

Mas eu acredito no caminho do meio.

No equilíbrio.

Não precisa ser pesado. Só precisa compartilhar a carga.

Cada um segura em uma alça da sacola, e os dois levam juntos.

Sempre pensando no futuro do filho.

Porque um filho integrado com pai e mãe só tem a ganhar na vida.

Com pai e mãe integrados, o filho vai para o mundo para brilhar e ajudar o planeta Terra a evoluir ainda mais.

Porque maternidade não foi feita para ser carregada sozinha. Quando cada um segura uma alça, o peso diminui, o amor se expande e a gente finalmente entende que criar um filho também é aprender a caminhar junto.

Você Não Precisa Carregar Tudo Sozinha

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Perguntas frequentes sobre este tema

O pai é rede de apoio ou também é responsável pela criação dos filhos?

O pai não deve ser visto apenas como rede de apoio ou alguém que “ajuda” a mãe. Ele também é responsável pela criação, pelos cuidados e pela educação dos filhos. Compartilhar essa responsabilidade beneficia a mãe, o pai e, principalmente, a criança.

Como viver a maternidade com mais leveza?

Viver uma maternidade mais leve começa por reconhecer que você não precisa controlar tudo nem carregar toda a responsabilidade sozinha. Dividir responsabilidades com o pai, pedir ajuda e também cuidar de si são formas de construir uma maternidade mais equilibrada.